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2025 foi um ano bom ou ruim? Que venha 2026

Enio Fonseca

Responder se o mundo piorou ou melhorou em 2025 é uma tarefa complexa e, em grande medida, subjetiva. O ano foi marcado por tendências mistas: avanços relevantes em algumas áreas e desafios profundos em outras.

O cenário global permaneceu instável, com forte polarização política, conflitos armados persistentes e tensões econômicas que alimentaram a incerteza e corroeram a confiança nas instituições. Ao mesmo tempo, observou-se progresso tecnológico significativo — especialmente a rápida integração da Inteligência Artificial (IA) à sociedade, às empresas e às políticas públicas — além de uma ampliação do debate sobre sustentabilidade, mudanças climáticas e o futuro do planeta.

Este artigo reúne reflexões construídas em diálogo com o amigo e excelente escritor Décio Michelis.

No contexto brasileiro, alguns indicadores apresentaram evolução. O Brasil subiu cinco posições no ranking global do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) da ONU, impulsionado principalmente por melhorias na renda e na saúde, ainda que a educação siga estagnada. O Banco Mundial projetou crescimento do PIB brasileiro de 2,4% em 2025, acima da média da América Latina e do Caribe.

Em síntese, 2025 foi um ano de contrastes acentuados. A percepção de melhora ou piora depende da área analisada, da região, do contexto social e das conquistas individuais. O ano oscilou entre crises urgentes, inovações promissoras e momentos pontuais de prosperidade.

Principais problemas que mais preocuparam os brasileiros em 2025

(segundo pesquisas de opinião e levantamentos ao longo do ano)

  1. Alta da inflação e do custo de vida, especialmente dos alimentos, pressionando o orçamento das famílias e ampliando a sensação de insegurança econômica.

  2. Crescimento da população em situação de rua, que atingiu 358.553 pessoas em outubro de 2025, segundo o Observatório Brasileiro de Políticas Públicas com a População em Situação de Rua da UFMG.

  3. Corrupção e perda de confiança nas instituições, com impacto direto sobre a eficiência econômica e social. Estimativas indicam perdas entre 1,38% do PIB (FIESP) e 8% do PIB (IBPT), comprometendo recursos que poderiam ser destinados à saúde e à educação.

  4. Violência e criminalidade, com 44.127 mortes violentas intencionais em 2024, o equivalente a cerca de 120 mortes por dia, em um país que não está em guerra.

  5. Desperdício e má qualidade do gasto público. O Estado brasileiro gasta muito e gasta mal, em todos os níveis — federal, estadual e municipal. Estudos do BID, do Banco Mundial e da OCDE apontam baixa eficiência do gasto público.
    As estimativas de impacto dessa ineficiência variam entre 3,9% e 7% do PIB.

  6. Endividamento das famílias, inadimplência crescente, gastos inesperados e ausência de reserva de emergência, ampliando a vulnerabilidade social.

  7. Escassez de investimentos em infraestrutura. A ABDIB estima que o Brasil deveria investir entre 4% e 5% do PIB ao ano (cerca de R$ 350 bilhões) para atender às necessidades do país. Atualmente, o investimento gira em torno de 2% do PIB.
    Para comparação, a China investe cerca de 14% do PIB em infraestrutura.

  8. Incertezas externas, como dólar forte, protecionismo e instabilidade geopolítica, com potenciais impactos negativos sobre a economia brasileira.

  9. Expectativa de desaceleração econômica e risco de aumento do desemprego.

  10. Impunidade estrutural, decorrente da ineficiência do sistema penal, marcada por lentidão, excesso de formalismo e uso recorrente de recursos protelatórios. Esse cenário reforça a percepção social de que o crime compensa e aprofunda desigualdades, favorecendo quem dispõe de recursos financeiros e influência.

  11. Inelasticidade das despesas públicas para 2026. O gasto público não diminui: o refinanciamento da dívida pública federal consumirá 28,8% do orçamento, sem redução do estoque da dívida, apenas para pagamento de juros.
    Para investimentos, restam apenas 3,1% do OGU, percentual que foi de 2,8% nos dois últimos anos.

  12. Juros elevados, aumento da carga tributária (estimada em 34,12% do PIB) e crescimento da dívida pública, que passou de 77,6% do PIB em 2025 para uma projeção de 82,4% em 2026, em trajetória ascendente até 2035.

  13. Crise na saúde pública e na saúde mental, com escassez de recursos e dificuldades de acesso a tratamentos especializados. Em outubro de 2025, 2,86 milhões de pessoas aguardavam atendimento na fila do INSS para benefícios e perícias.

  14. Solidão e isolamento social, caracterizados pela desconexão emocional, sensação de não pertencimento e relações superficiais. Trata-se de um problema crescente de saúde pública, com impactos físicos e mentais relevantes. Paradoxalmente, parentes e amigos parecem se afastar na razão inversa do saldo da conta bancária.

  15. Conflitos armados e a normalização da guerra. A guerra, historicamente, tem sido mais frequente que a paz. Conflitos como a Guerra Russo-Ucraniana e a Guerra Israel–Hamas–Irã–Hezbollah ilustram disputas territoriais, econômicas, políticas, ideológicas, religiosas e étnicas.
    Segundo o Active Post, nos últimos 3.400 anos, a humanidade esteve em paz em apenas 268 anos, cerca de 8% do tempo. O século XX foi o mais letal, com mais de 100 guerras e estimativas de até 1 bilhão de mortos ao longo da história.

Conclusão

Apesar — e, paradoxalmente, em decorrência — de todos esses desafios, este ainda é o melhor momento histórico para nascer. Nunca houve tantos avanços científicos, tecnológicos e possibilidades de transformação individual e coletiva.

Que 2026 seja um ano de mais lucidez, responsabilidade, empatia e reconstrução.

Enio Fonseca

CEO da Pack of Wolves Assessoria Socioambiental, foi Superintendente do Ibama, Conselheiro do Copam MG, Superintendente de Gestão Ambiental do Grupo Cemig, Gestor de sustentabilidade da Associação Mineradores de Ferro do Brasil (AMF). Diretor de Responsabilidade Social e Ambiental da ALAGRO. Diretor de Meio Ambiente e Relacoes Institucionais da SAM METAIS. Profissional Senior em Gestao Ambiental, membro do Conselho Editorial e colunista do Canal Synergia.

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