Por Jacir J. Venturi | Resumo e análise crítica para Synergia Editora
Leia o artigo original aqui: https://www.estadao.com.br/politica/blog-do-fausto-macedo/a-era-do-conhecimento-de-hoje-apoia-se-sobre-os-ombros-de-gigantes-do-passado/?srsltid=AfmBOoqVn-QZlultgxeiXnc-63duDQ3-GtM-vQt_sq2yVbJuzqKbefQM
No artigo “A Era do Conhecimento de hoje apoia-se sobre os ombros de gigantes do passado”, publicado na Gazeta do Povo (20/04/2025), o educador Jacir J. Venturi traça uma ponte eloquente entre dois marcos históricos do saber — a Biblioteca de Alexandria e a imprensa de Gutenberg — para refletir sobre os desafios contemporâneos da leitura e do aprendizado.
Venturi destaca que, mesmo diante da explosão tecnológica e da vasta oferta de conteúdos didáticos digitais, o verdadeiro aprendizado permanece ancorado na autodisciplina, no esforço e na introspecção. A invenção da imprensa por Johann Gutenberg, em 1440, é saudada como a “maior revolução tecnológica do milênio” por ter democratizado o conhecimento, promovendo a alfabetização e impulsionando movimentos como o Iluminismo e a Revolução Científica. De fato, em poucos anos, a invenção multiplicou exponencialmente o número de leitores europeus, mostrando o poder da palavra impressa para transformar sociedades.
No entanto, o cenário brasileiro atual revela um paradoxo preocupante. Segundo dados da pesquisa “Retratos da Leitura no Brasil” de 2024, 53% da população adulta não leu sequer um único livro no ano passado — nem mesmo os mais curtos. Isso representa um afastamento de 11 milhões de leitores em 14 anos. Em contraste, vivemos na era da informação instantânea, onde o acesso ao saber jamais foi tão facilitado.
Venturi, com lucidez crítica, aponta que a abundância digital, longe de estimular o aprendizado profundo, frequentemente leva à superficialidade. Ele menciona estudos neurocientíficos que associam o uso excessivo de dispositivos digitais à deterioração cognitiva, o que levou à escolha da expressão “brain rot” como palavra do ano de 2024 pelo Dicionário Oxford.
O artigo é um alerta elegante e provocativo: mesmo com acesso a bibliotecas inteiras na palma da mão, a leitura exige tempo, foco e espaço — ingredientes cada vez mais escassos na cultura da distração. Com um estilo reflexivo e repleto de referências históricas, Jacir Venturi nos convida a reencontrar o “sabor do saber”, mesmo que isso implique, como disse Fernando Pessoa, em “passar além da dor”.
Ponto forte do artigo: A habilidade de entrelaçar história, neurociência e cultura digital com uma narrativa clara, rica em referências e com um tom de chamada à ação — especialmente para educadores, pais e formadores de opinião.
Jorge Gama
Editor


