Vivemos em uma era de excesso de informação e, paradoxalmente, de escassez de conhecimento profundo. Nunca se leu e nunca se escreveu tanto — mas grande parte do que produzimos e consumimos diariamente não deixa marcas duradouras em nossa formação. Essa contradição ajuda a explicar por que alguns parecem aprender mais rápido do que outros e por que o Brasil carrega uma defasagem histórica em leitura e educação.
Conhecimento buscado, aprendido e apreendido
A aprendizagem segue estágios. Primeiro, buscamos dados: lemos, ouvimos, assistimos. Em seguida, aprendemos, organizando essas informações em algo compreensível e aplicável. Só quando esse aprendizado é internalizado pela prática, reflexão e experiência, ele se transforma em conhecimento apreendido — aquele que se torna parte de nós, evolui em sabedoria e nos permite enxergar além da superfície.
A regra dos 5%
Max Gehringer popularizou a ideia de que apenas 5% do que fazemos realmente importa. Dos milhares de dados que absorvemos, poucos se fixam. Das horas gastas no trabalho, raros momentos se tornam memoráveis. A lição é clara: a diferença não está em fazer mais, mas em focar no que realmente tem valor. Para o aprendizado, significa selecionar, praticar e insistir nos 5% que podem transformar nossa vida.
Escrever para aprender
A escrita é um dos melhores caminhos para consolidar esse 5%. Não é apenas um ato de comunicação, mas de organização do pensamento. Escrever — mesmo “besteiras” — é um exercício de traduzir o caos mental em ordem, de transformar dados em raciocínio. Quem escreve aprende duas vezes: ao absorver e ao expressar. É por isso que estudantes, pesquisadores e profissionais que escrevem regularmente fixam melhor o conhecimento e ampliam sua clareza intelectual.
Leitura profunda e neurociência
A neurocientista Maryanne Wolf lembra que “não há nada menos natural que ler”, mas, ao aprender a ler, o ser humano cria novos circuitos cerebrais que ampliam a criatividade, a empatia e a inteligência. Contudo, a leitura profunda, que exige concentração e tempo — típica do livro impresso —, está sendo substituída pela leitura fragmentada das telas digitais. Essa mudança afeta nossa capacidade de pensamento crítico e de compreensão complexa.
Não é à toa que um relatório do Banco Mundial estimou que os alunos brasileiros levarão 260 anos para atingir a proficiência em leitura dos países ricos. Isso mostra que não basta alfabetizar tecnicamente: é preciso formar leitores profundos, capazes de refletir e construir conhecimento sólido.
O papel da Synergia Editora
A Synergia acredita que mudar esse cenário passa por incentivar o hábito da leitura de qualidade, aliado à escrita como prática de aprendizagem. Por isso, estamos lançando, em setembro de 2025, o clube de livros LêComigo (em fase final de construção no site synergiaeditora.com.br/le-comigo), que tem como propósito criar uma comunidade de leitores ativos, comprometidos com a leitura crítica e transformadora.
Além do LêComigo, a Synergia estruturou novos selos editoriais:
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ArteFato, dedicado à publicação de obras de ficção e não ficção, ampliando o espaço para narrativas criativas e reflexivas;
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Medicina e Saúde, destinado a livros médicos e científicos, retomando uma vocação pessoal de quem vem da tradição editorial da Revinter — uma das principais editoras de Medicina do país, vendida em 2015 ao grupo alemão Thieme.
Conclusão
O Brasil não precisa esperar 260 anos para mudar sua trajetória educacional. Se soubermos valorizar os 5% de leitura, escrita e aprendizagem que realmente importam, poderemos formar gerações mais críticas, empáticas e preparadas para os desafios do futuro.
A leitura profunda e a escrita consciente não são apenas práticas intelectuais: são ferramentas de transformação pessoal e social. E é para fortalecer esse processo que a Synergia aposta no LêComigo, nos selos editoriais e em sua missão de fazer do livro um agente de mudança.
Jorge Gama
Editor


