Do movimento ao significado: como o conceito de “mattering”, apresentado em The Mattering Instinct, e a perspectiva de ESG sob a Dimensão Humana mostram que sentir que importa pode ser tão decisivo quanto manter o corpo em movimento.
O debate sobre saúde está mudando — e rapidamente. Eventos como o São Paulo Innovation Week deixam evidente uma transformação estrutural: saímos de um modelo centrado na doença para um modelo orientado à prevenção, performance e longevidade.
Entre os temas discutidos — envelhecimento, neurologia, alimentação e inteligência artificial — há um ponto crítico ainda subexplorado: o papel do movimento estruturado como base da saúde ao longo da vida.
Mas há também um segundo eixo, ainda mais silencioso e igualmente decisivo:
a necessidade humana de sentir que importa.
É nesse ponto que o Pilates deixa de ser apenas relevante — e passa a ser essencial.
O envelhecimento exige método, não improviso
Envelhecer não é apenas uma questão cronológica. É funcional.
Perda de massa muscular, redução da mobilidade, alterações neurológicas e aumento do risco de quedas são fenômenos conhecidos. A questão central não é se eles ocorrerão — mas como serão enfrentados.
Sem método, o envelhecimento leva à dependência.
Com método, leva à autonomia.
E sem sentido, leva ao abandono.
“Mattering”: o fator invisível da longevidade
O livro The Mattering Instinct, de Rebecca Brenner Graham, traz um conceito poderoso: o ser humano tem uma necessidade fundamental de sentir que importa.
Esse sentimento — conhecido como “mattering” — conecta-se diretamente com:
- saúde mental
- pertencimento social
- produtividade
- relações humanas
- engajamento com a própria vida
Com o avanço da idade, muitas pessoas não perdem apenas força ou mobilidade. Perdem espaço, protagonismo e reconhecimento.
E quando alguém deixa de sentir que importa, tende a se desligar — inclusive do cuidado com o próprio corpo.
A dimensão humana da saúde: o elo com ESG
Essa discussão não está restrita à psicologia ou à saúde individual. Ela já começa a ganhar forma estruturada no campo da governança e das organizações.
A obra ESG sob a Dimensão Humana, de Fernando Marques, Rodrigo Fontora e Clarice Kobayashi, publicada pela Synergia Editora, propõe exatamente esse deslocamento de olhar: colocar o ser humano como eixo das decisões.

No contexto do envelhecimento, isso é ainda mais relevante.
Porque discutir longevidade sem considerar:
- pertencimento
- reconhecimento
- papel social
- dignidade
é tratar apenas metade do problema.
👉 O “mattering”, nesse sentido, é a tradução psicológica da dimensão humana do ESG.
Pilates: muito além de exercício
Criado por Joseph Pilates, o método tem como base seis princípios: controle, concentração, centralização, fluidez, precisão e respiração.
Na prática clínica e preventiva, isso se traduz em:
- Reeducação do movimento
- Fortalecimento do core (centro de força)
- Melhora do equilíbrio e propriocepção
- Prevenção de lesões
- Redução de dores crônicas
- Aumento da autonomia funcional
Ou seja: não é sobre “fazer exercício”.
É sobre reprogramar o corpo para funcionar melhor.
Mas há algo ainda mais profundo acontecendo.
Pilates como ferramenta de reconstrução do “mattering”
Ao praticar Pilates, o aluno:
- percebe evolução
- recupera movimentos
- recebe atenção individualizada
- se sente acompanhado
- volta a se reconhecer no próprio corpo
Isso gera algo fundamental:
👉 sensação de valor, pertencimento e progresso
Em outras palavras, o Pilates atua diretamente na reconstrução do “mattering”.
Não é apenas o corpo que melhora.
A pessoa volta a sentir que importa.
Interface com neurologia e cognição
A presença de nomes como Paulo Niemeyer Filho no debate reforça um ponto-chave: o cérebro está no centro da saúde.
O Pilates atua diretamente nessa interface:
- Estimula conexões neuromotoras
- Melhora coordenação e tempo de reação
- Reduz risco de declínio funcional
- Contribui para saúde mental
Estamos falando de neuroplasticidade aplicada ao movimento.
E também de engajamento aplicado à vida.
Longevidade ativa: o novo paradigma
A participação de atletas como Fernanda Keller no debate sobre longevidade reforça que viver mais não basta — é preciso viver melhor.
A nova equação da saúde é clara:
Longevidade = funcionalidade + significado
O Pilates entra como ponte entre:
- Performance e reabilitação
- Juventude e envelhecimento
- Corpo e mente
- Movimento e propósito
Ele não é apenas uma prática — é um sistema de sustentação da vida funcional e emocional.
Oportunidade para o setor editorial e de saúde
Há um gap evidente no mercado:
- Muito conteúdo sobre doença
- Pouco conteúdo estruturado sobre prevenção baseada em método
- Quase nenhum conteúdo integrando corpo, mente e pertencimento
Para editoras, profissionais de saúde e centros de movimento, isso representa uma oportunidade clara:
Construir conhecimento aplicado, acessível e baseado em evidência — incorporando também a dimensão humana da saúde.
O conceito de “mattering” dialoga diretamente com:
- ESG (dimensão humana)
- saúde mental
- cultura organizacional
- bem-estar e produtividade
👉 E posiciona o catálogo da Synergia em um território editorial de alta relevância e diferenciação.
Conclusão
Se queremos discutir envelhecimento de forma séria, precisamos sair da superficialidade.
O futuro da saúde não está apenas na tecnologia, na cirurgia robótica ou na inteligência artificial.
Está, sobretudo, em algo mais básico — e mais poderoso:
- a capacidade de manter o corpo em movimento
- e a capacidade de manter o sentido de existir
Porque, no fim, a pergunta central não é apenas:
“Quanto tempo vamos viver?”
Mas sim:
“Durante esse tempo, ainda vamos sentir que importamos?”
E nesse contexto, o Pilates não é coadjuvante.
É protagonista.
Jorge Gama
Editor


