Assim como os altos e baixos de toda indústria nascente.
O encontro de negócios da ABEEólica – Associação Brasileira de Energia Eólica Onshore e Offshore e Novas Tecnologias esse ano teve a ABIHV – Associação Brasileira da Indústria do Hidrogênio Verde como parceira e foram muito gratificantes e edificantes os debates, incluindo a mesa de abertura com a ABIHV, EPE, CELA e EVOL.

Ainda que os negócios não estejam fluindo como esperávamos, o hidrogênio verde está no elenco das novas demandas estruturantes para a energia eólica no país.
O Brasil consolidou uma base renovável robusta e fez da energia eólica um dos pilares da transição energética. O desafio agora é converter essa abundância de oferta em demanda industrial firme, capaz de sustentar novos investimentos, reduzir incertezas e ampliar o valor agregado da eletricidade renovável no país.
O Brasil possui uma sólida inserção de energias renováveis. Os incentivos regulatórios proporcionados no início da indústria viabilizaram os mais de 30 GW de potência em energia eólica na matriz brasileira.
Apesar dos avanços, hoje o país – e especialmente os geradores eólicos – enfrenta um desafio complexo e que não é exclusividade nacional: curtailment, insegurança política global, necessidade de sistemas de transmissão mais resilientes e alinhados à expansão da geração e a necessidade de avanço técnico e regulatório para inserção de novas tecnologias, como baterias, usinas offshore e a própria indústria de hidrogênio.
Além dos desafios destacados, também é importante ressaltar que os consumidores (e aqui especialmente o hidrogênio verde) têm um papel crucial no sistema como balizadores para manutenção e novos investimentos. A neoindustrialização verde depende da energia renovável para acontecer e com ela, a geração de novos empregos, desenvolvimento tecnológico nacional, capacitação da força de trabalho e o aumento da produção industrial nacional, com produtos de maior valor agregado e tecnologia empregada.
Projetos de hidrogênio verde são eletrointensivos. Em uma planta de hidrogênio, a energia responde por cerca de 70% do custo operacional, o que torna a geração renovável competitiva e os contratos de longo prazo especialmente relevantes para dar previsibilidade a investidores e viabilizar nova demanda para a eólica.
Com o avanço dos eletrolisadores, plantas de hidrogênio, amônia e metanol também podem operar como cargas flexíveis: absorvem excedentes de geração, ajustam o consumo conforme a condição do sistema e ajudam a reduzir perdas associadas ao curtailment. Tais capacidades dependem do desenvolvimento regulatório e de um ambiente estável para que sejam testadas e aprimoradas de acordo com o mercado e as características nacionais.


