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Importância da gestão ambiental transversal na administração federal. Olhar sobre o setor mineral

Enio Fonseca

Em 25.01.2024, com previsão na Constituição Federal e institucionalizado por lei, o Governo Federal lançou o Plano Plurianual (PPA 2024-2027). O Instrumento em questão será o seu principal instrumento de planejamento de médio prazo e servirá como norteador para o processo alocativo dos recursos públicos e para a atuação do governo como um todo.

Dentre as inovações do PPA, destacam-se as chamadas agendas transversais, definidas na Lei n. 14.802/2024. Tais agendar são como um conjunto de insígnias que encaminham problemas complexos de políticas públicas, podendo reflexionar em públicos-alvo ou temas específicos, que necessitam de uma abordagem multidimensional e integrada por parte do Estado para serem encaminhados de maneira eficaz e efetiva.

ENERGIA E MEIO AMBIENTE – TOMO II

São cinco as agendas transversais: crianças e adolescentes; mulheres; igualdade racial; povos indígenas; e meio ambiente. Vários órgãos se comprometeram com as agendas transversais com finalidades específicas, cessões ou disposições institucionais/normativas que coadjuvam para a suplantação dos principais problemas de cada pauta.

O SETOR ELÉTRICO E O MEIO AMBIENTE – FMASE-TRANSIÇÃO ENERGÉTICA

Desde 1988, será a primeira vez que a pauta ambiental constará como agenda transversal no PPA, a qual possui o maior número de singularidades dentre as agendas e perpassa todos os níveis do PPA 2024-2027 – estratégico, tático e gerencial. O alcance da agenda transversal ambiental reflete a premência e a incompreensibilidade das adversidades ambientais e climáticos. O enfrentamento dos contratempos, a tempo de conter danos irreversíveis aos ecossistemas e às pessoas, requer não apenas que os mais diversos setores de fato incorporem a sustentabilidade ambiental em seus processos e políticas públicas, mas também que os esforços sejam coordenados e integrados.

A agenda transversal ambiental aparece em 50 dos 88 programas e conta com 113 objetivos específicos, 372 entregas e 150 medidas institucionais e normativas, nos níveis estratégico, tático e gerencial.

O relatório sistematiza os compromissos do Governo Federal para os próximos quatro anos na área ambiental em sete dimensões: 1) prevenção e controle do desmatamento e combate a incêndios; 2) conservação, proteção e recuperação da biodiversidade, de ecossistemas e biomas; 3) gestão e conservação dos recursos hídricos; 4) gestão e conservação dos recursos marinhos e zona costeira; 5) bioeconomia; 6) qualidade ambiental em áreas urbanas e rurais; e 7) enfrentamento da emergência climática.

De acordo com o documento, que foi coordenado pelo Ministério do Planejamento e Orçamento, com apoio do Banco Interamericano de Desenvolvimento, temos “urgência de transitar para um modelo de economia verde coloca o Brasil em um lugar de destaque na geopolítica global, já que o Brasil possui o principal ativo para esta transição: o ativo ambiental. Trata-se de um país com seis biomas, sendo um deles constituído pela maior área de floresta tropical (Floresta Amazônica) e outro pela maior área alagada contínua (Pantanal) do mundo. O país ainda detém uma das maiores reservas de biodiversidade e a maior dotação de água doce do planeta, além de enorme vocação para a produção de energia solar, eólica e de hidrogênio verde”. Não se pode mais falar em temas estritamente ambientais, de competência apenas de um, ou poucos órgãos do governo.

O Governo Federal, pretende com este documento de planejamento destacar que o desafio que se impõe com essa nova realidade é uma atuação transversal, integrada e planejada, baseada em um robusto e articulado pacto entre os diversos órgãos do governo, as esferas federativas, os setores produtivo, acadêmico, científico e toda a sociedade civil. De acordo com o PPA, o objetivo é criar um ciclo de prosperidade econômica com democracia e representatividade, que concilie o combate às desigualdades sociais com sustentabilidade ambiental e justiça climática.

No que tange à agenda ambiental, é essencial integrar as ações e iniciativas de todos os Ministérios, com o objetivo de cumprir as metas nacionais de redução das emissões de gases de efeito estufa e de promover a conservação e recuperação da biodiversidade, o controle do desmatamento e queimadas, o fomento à economia de base sustentável, o desenvolvimento tecnológico e a redução das desigualdades sociais.

DESAFIOS DA EFICÁCIA DOS DIREITOS HUMANOS NO SÉCULO XXI

Como um exemplo de iniciativa do PPA, na Agenda Transversal do Meio Ambiente, a atividade mineral está contemplada pelo Programa Mineração Segura e Sustentável, coordenado pelo MME, que objetiva criar, no setor mineral brasileiro, um ambiente orientado para a sustentabilidade, a transição energética, a segurança do público e a atratividade aos investimentos. Este objetivo específico tem como indicador o número de empresas do setor mineral com certificação ESG que ateste a internalização de práticas sociais, ambientais e de governança em seus processos/operações. Almeja-se a certificação de cinco empresas do setor já no exercício de 2025. Destacam-se as seguintes entregas:

  • realização de estudos para assegurar adequado fechamento de minas; e
  • fiscalização dos Planos de Fechamentos de Minas (PFM).

O programa almeja o aumento da segurança da mineração para a sociedade brasileira, tendo como indicador deste objetivo específico a taxa de redução de nível de emergência de barragens de mineração, que mede a variação percentual do número de barragens em nível de emergência em relação ao número em 31/12/2023. A taxa de redução deve sair de 10% (dez por cento) em 2024 e passar para 35% (trinta e cinco por cento) em 2027.

As entregas declaradas são:

  • Sistema Integrado de Gestão de Barragens de Mineração 2.0;
  • implementação de plataforma de fiscalização responsiva para gerenciamento ativo dos riscos socioambientais dos empreendimentos minerários;
  • e elaboração de estudo de melhores práticas na cobertura internacional no uso de garantias financeiras para a cobertura de riscos ambientais associados à mineração.

Considerados os riscos socioambientais quando a mineração se realiza sem as devidas garantias, as principais adversidades que deverão ser superados no PPA 2027 em relação à Agenda Ambiental são:

  • Arcabouço institucional e normativo insuficientes para assegurar o adequado fechamento de minas;
  • Estruturas de mineração com classificação de risco acima do desejável, gerando insegurança nas comunidades que habitam seu entorno; e
  • Atuação insuficiente para a internalização das políticas no desenvolvimento sustentável e eficiente da mineração;

Minas Gerais foi pioneira na modelagem de gestão integrada ambiental entre suas Secretarias, com a criação dos Núcleos de Gestão Ambiental (NGA), estruturas gerencias necessárias à eficaz interlocução entre os diferentes órgãos públicos, e que necessita ser implementada também a nível do PPA do Governo Federal.

Em suma, acreditamos que recursos orçamentários e financeiros de diferentes fontes acautelarão os resultados esperados no PPA.

Enio Fonseca
CEO da Pack of Wolves Assessoria Socioambiental, foi Superintendente do Ibama, Conselheiro do Copam MG, Superintendente de Gestão Ambiental do Grupo Cemig, Gestor de sustentabilidade da Associação Mineradores de Ferro do Brasil (AMF), membro do IBRADES. Profissional Senior em Gestao Ambiental, membro do Conselho Editorial e colunista do Canal Synergia.

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